Linkin Park muda de estilo no novo disco e provoca decepções

Surgido na rabeira do new metal, o Linkin Park logo se destacou da maioria das bandas do famigerado estilo. Misturando rap e rock e efeitos eletrônicos em músicas que alternavam com maestria calma e agitação – uma lição que o Nirvana mostrou ao mundo –, a banda de Chester Bennington e Mike Shinoda sempre se preocupou em seguir o mesmo estilo nos primeiros discos. Mas talvez justamente por medo de se repetir, o grupo deu uma guinada no som no mais recente disco, A thousand suns, lançado há oito meses e que agora chega em versão turbinada. A caixinha dupla traz, além do quarto álbum de estúdio, um DVD gravado ao vivo em Madri.

O disco é exatamente o mesmo que o público já conhece e que emplacou nas paradas de sucesso músicas como The catalyst, Waiting for the end e Burning in the skies. A thousand suns é mais calmo e contido do que os outros trabalhos, e deixa para trás grande parte do peso que os ouvintes do Linkin Park estavam acostumados a ouvir, priorizando interferências eletrônicas em detrimento das guitarras. O problema é que a banda erra a mão nessa mudança e em muitos momentos chega a faltar energia e gás nas novas músicas, que tendem muito mais para as baladas do que para o rock de arena dos discos Hybrid theory, Meteora e Minutes to midnight.

Talvez justamente pela falta de animação a que o público está acostumado, a reprovação para as novas músicas fica latente quando se assiste ao DVD bônus. Nos momentos em que a banda apresenta clássicos como Faint, In the end e até mesmo músicas mais recentes, como What I’ve done, o público se exalta, vibra e canta junto. Porém, quando mostram canções do disco novo, como Waiting for the end e Iridescent, é possível ver nitidamente o desinteresse da multidão, que acompanha tudo de braços cruzados e sem se manifestar muito.

Para piorar, a banda ainda intercala as novidades com as músicas dos três primeiros álbuns, o que deixa o show com uma sensação de montanha-russa. É de espantar como o público sai da letargia provocada pelas canções de A thousand suns e responde aos berros mal o Linkin Park inicia faixas como Numb, Papercut e Breaking the habit. Se A thousand suns representa um momento menos interessante na carreira do grupo e corre o sério risco de passar despercebido no futuro, o DVD bônus desta reedição ajuda a mostrar que quando faz o que sabe, o Linkin Park ainda é um dos grandes nomes atuais do rock. Que voltem com urgência ao arroz com feijão.
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